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FLAUTA - BREVE HISTÓRICO

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FLAUTA - BREVE HISTÓRICO

Mensagem  CARLINHOS DA FLAUTA em Seg 3 Jan 2011 - 6:59

"A origem da flauta é remota. Ela nos remete a épocas primitivas, quando o homem descobre que a cana é oca, assim, como o bambu e a tíbia humana ou animal. Experimenta abrir vários orifícios em diversas partes destes objetos e sopra, colocando o instrumento em posição perpendicular ou horizontal. Esta é, esquematizando ao extremo, a pré-história de um instrumento que passou por numerosos aperfeiçoamentos ao longo de muitos anos até chegar às flautas que conhecemos hoje.

Como confirmação do aparecimento do instrumento, uma descoberta feita no ano de 1995 nos leva a acreditar que o primo menos evoluído do homem moderno (Homo sapiens sapiens), o homem de Neanderthal (Homo neanderthalensis), é o provável criador do mais antigo instrumento musical já descoberto no mundo: uma flauta de pelo menos 43 mil anos, encontrada na Eslovênia.

A flauta, bastante rudimentar, foi feita com o pedaço de fêmur de uma espécie extinta de urso, que recebeu quatro orifícios alinhados, dois deles conservados intactos.

Tal descoberta ocorreu num vale esloveno e foi objeto de análise de pesquisadores dos E.U.A. e Eslovênia. O estudo, anunciado e divulgado no jornal O Globo (quinta-feira, 31/10/1996), comprovou que o artefato era realmente uma flauta primitiva. O instrumento foi encontrado junto a vestígios de homens de Neanderthal. Para pesquisadores da Universidade de New York, a descoberta reforça a teoria de que aquela espécie chegou a desenvolver traços culturais.

Desde a Idade Média ao século XIX, até a "Era Boehm", período de 1320 a 1830, o instrumento passou por várias mudanças.

Os estudos e a necessidade de uma técnica mais apurada levou fabricantes e estudiosos a desenvolverem novos caminhos para atingir a flauta ideal. Desta maneira, este período ficou marcado por muitos lançamentos de fabricantes exibindo suas flautas, que apresentavam-nas nos modelos de 3, 4, 7 e 8 chaves. As chaves eram a solução dos problemas técnicos. Há também uma curiosidade: Claude Laurent fabricou, no período de 1806 a 1844, flautas de vidro com 3, 4 e 7 chaves.

Graças a estas pessoas, pôde-se ter, na época clássica, a verdadeira evolução da flauta transversa. J. J. Quantz (1697-1773), pedagogo e compositor, contribuiu para o aperfeiçoamento da flauta, deixando para a história de seus ajustes e melhoramentos a rolha ou parafuso móvel de cortiça, colocado na extremidade superior do instrumento, responsável pelo equilíbrio da afinação.

Depois de Kusder, Joseph Tacet, J. G. Tromlitz (1725-1805), Karl August Grenser (1720-1807), J. L. Tulou (1786-1865), entre tantos outros, Theobald Boehm (1794-1881) foi quem realmente fez estudos físico-científicos, alcançando resultaso ideal na construção da flauta.

Boehm realizou duas coisas: criou o sistema para superar deficiências acústicas inerentes às flautas anteriores, porquê preocupava-se em obter melhor sonoridade em instrumentos de madeira, e inventou o sistema para tornar o mecanismo do dedilhado mais prático. Seu principal objetivo foi fazer o som da flauta mais forte, mais volumoso (uma vez que estava sendo muito usada em orquestras e em ambientes maiores), quase uniforme, por todo o compasso, melhorando o som geral para produzir todas as notas cromáticas em todas as chaves, com acesso mais fácil para o músico.

Uma das contribuições para o aperfeiçoamento do volume e da qualidade sonora foi a bertura do orifício do porta-lábio (...):

# tínhamos um orifício simples e redondo;

# depois, um orifício oval, que foi descoberto para produzir um som mais vibrante;

# em seguida, temos um porta-lábio para ajudar na direção exata do jato de ar, produzindo um som mais claro, mais colorido.

porquê as flautas de madeira obtinham sonoridade limitada, Boehm, em 1846, insatisfeito com o rendimento das mesmas, fez experiências com metais e decidiu pela prata porquê a qualidade sonora da flauta de prata (ou deste metal) é melhor e menos fatigante de se tocar.

Após esta conquista, os instrumentistas fizeram grandes avanços técnicos graças ao rompimento destas barreiras, em 1855.

Em 1878, Boehm chega à perfeição com a flauta moderna de prata.

O fim do século XIX é marcado com flautas aparecendo nas orquestrações de Johannes Brahms, Richard Strauss e Peter I. Tschaikovsky. A literatura solo se expandiu rapidamente, com virtuosismo, e as peças de exibição viraram moda.

No século XX, temos poucos detalhes a mais, apenas chave "gizmo" (chave redonda para desligar o dedo, normalmente usada para o 5. dedo da mão direita), cortiça na extremidade da cabeça, para estabilizar ainda mais a afinação.

A partir daí, seguem-se as experiências com o interesse voltado para o material de confecção. A necessidade de se obter uma sonoridade compatível com as novas exigências faz surgir a liga, uma combinação de metais, fundidos em um só, que tem dado aos flautistas qualidade e variedade infinita em timbres e respostas.

Como os metais podem variar do cobre, níquel, paládio, prata, prata de lei, ouro e platina, quanto mais nobre a combinação, mais rica é a flauta em sonoridade e seu preço conseqüentemente mais alto.

A espessura, fator muito importante também para o volume que se deseja alcançar em um som, está especificamente ligada ao material que a flauta foi feita. Por exemplo: na construção de uma flauta em ouro 14 quilates, a fábrica provavelmente usará uma liga de prata de lei já confeccionada numa espessura considerada ideal para aquele instrumento.

Os bocais, sozinhos, sem o corpo da flauta, são muito procurados, pois já se observou que promovem uma melhora considerável na sonoridade. Por causa disto, as fábricas, em contrapartida, atendem à demanda, oferecendo aos instrumentistas bocais como os da Brannen, Sankyo, Haynes, entre outros. Já sugem os produtores independentes, pessoas que se especializaram só em bocais, como, por exemplo, os Salvatore Faulisi, o brasileiro Luís C. Tudrey entre tantos outros prováveis desconhecidos, escondidos em suas oficinas, tentando melhorar ainda mais o prazer de tocar.

As novas exigências são tendências atuais de uma flauta rica em respostas, em harmônicos (...), com muito volume em qualquer região e fácil de controlar o0s pianíssimos. Tem-se como exemplo o excelente flautista que traduz esta nova tendência, que é James Galway (1939). Seu som aproxima-se do som do saxofone, tal a potência, volume e colorido sonoro.

Não há hoje uma limitação em desenvolver uma sonoridade específica de uma determinada escola, seja ela alemã ou francesa. A tendência é mundial e as pessoas querem flautas que possam ser tocadas em ambientes sem amplificação, o que muitas vezes não ocorre, em grandes auditórios existentes nos E.U.A. e Europa. Isto é bem comprovado pelo número de gravações de flautistas que se apresentam neste locais.

O que podemos dizer, é que a flauta chegou ao nível de hoje, de proporcionar pelo menos 50% de condições para o músico desenvolver sua performance com precisão. Os outros 50% ficam por conta da individualidade e capacidade de cada um em ultrpassar suas próprias barreiras, para se atingir ao total equilíbrio de equipamento-homem e vice-versa. Portanto, para este conjunto ser perfeiro, cabe ao homem desenvolver a embocadura e utilizá-la como forma de expressão através da flauta transversa."

"A Embocadura na Flauta Transversa - Como Entender e Dominar" - Eugênio Kundert Ranevsky - Rio de Janeiro. Eugênio Kundert Ranevsky, 1999.
Anexos
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CARLINHOS DA FLAUTA

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Re: FLAUTA - BREVE HISTÓRICO

Mensagem  Admin em Seg 3 Jan 2011 - 15:24

Grande Carlinhos!!!!!!!!

Muito bom saber que também está conosco para iluminar este fórum!

Seja muito bem chegado! A casa é sua, ok?

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Re: FLAUTA - BREVE HISTÓRICO

Mensagem  CARLINHOS DA FLAUTA em Ter 4 Jan 2011 - 15:29

Muito obrigado pela boa recepção, JOUBERT ! Estou aqui para ajudar no que for possível !


Abraço !

CARLINHOS DA FLAUTA

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Re: FLAUTA - BREVE HISTÓRICO

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